A grande lição do II Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses

Rosalina Silva Cunha

Resumo


Se há anos nos dissessem que os bibliotecários e arquivistas portugueses iriam realizar grandes jornadas técnicas e de convívio, como são os ENCONTROS, por certo que não acreditaríamos. As razões eram evidentes: falta de condições de toda a ordem, inclusivé a pouca consideração social em que uma actividade tão útil ia desenvolvendo o seu labor. Presentemente, as coisas estão a modificar-se, e para melhor. Os motivos para que tal suceda entroncam-se em duas razões: a primeira consiste no facto de haverem sido os próprios bibliotecários e arquivistas que romperam o círculo vicioso, qual camisa de forças, onde estavam metidos, e resolveram então, por si, demonstrar ao País que existem, que são um valor técnico e que têm um peso a fazer sentir e uma palavra a dizer na estrutura intelectual daNação - e que ninguém pode desconhecer essa palavra de valor e de peso; a segunda consiste na circunstância actual de a actividade privada, em especial a da indústria, tal como sucede com os cientistas e investigadores mais capazes, reconhecer como indispensável, como estrutura fundamental, a informação bibliográfica e que esta só pode ser preparada por técnicos capazes, agora que há uma compreensível azáfama para o reapetrechamento tecnológico e científico das nossas actividades económicas de base.Ora é neste ambiente que se vai desenrolar de "30 de Março a 3 de Abril de 1966 o II Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses, sob o patrocínio da Biblioteca Nacional de Lisboa, presidindo à comissão de honra o Sr. Ministro da Educação Nacional. Esperamos todos que este novo Encontro seja uma feliz continuação do realizado no ano passado em Coimbra, sob o patrocínio das suas Universidade e Faculdade de Letras. Essa a primeira grande jornada de uma longa caminhada que há-de levar a um fim: o reconhecimento oficial da valia de uma classe que não tem sido até ao momento compreendida e daí esse êxodo que estamos a verificar nas principais bibliotecas e arquivos, com a debandada geral dos seus mais qualificados técnicos. E tal reconhecimento consiste na equiparação, sob o ponto de vista material, aos outros técnicos do Estado - engenheiros, professores liceais, agrónomos, arquitectos, etc., com idêntica formação universitária.Para que o II Encontro tenha o êxito que coroou já o I Encontro, uma única coisa se solicita: que todos os colegas nos dêem a sua mais decidida colaboração. Esta colaboração consiste apenas em inscrições, envio de comunicações a tempo e horas.Quanto à organização em si, será objecto de pormenorizadas informações, tal como já se fez ao enviarmos até ao momento duas circulares. Depois, a Imprensa, a Rádio e a Televisão dão igualmente largo noticiário sobre as nossas actividades, numa atitude que temos aqui de enaltecer, pois têm sempre demonstrado o melhor espírito de compreensão pelo bibliotecário e arquivista.Os esforços já desenvolvidos, as adesões já verificadas e as colaborações já dadas, são razões mais do que suficientes para augurarmos ao II Encontro dos Bibliotecários e Arquivistas Portugueses um êxito, um passo de gigante para um futuro melhor. E nem pode ser doutra maneira, pois isso seria pôr em dúvida a real capacidade dos' nossos técnicos de bibliotecas e arquivos, o que nunca esteve em causa. Evidentemente que se nos têm deparado dificuldades, que se avolumarão à medida que' a 'data do início do II Encontro se for aproximando. Mas isso não obstará ao êxito final, que será, sim, motivo de orgulho não para este ou para aquele, mas sim para todos os que abraçamos uma nobre carreira, como é a nossa, das mais altas que a sociedade moderna comporta.Na hora decisiva, neste momento angustioso que é o da viragem histórica de reconhecimento oficial e social da nossa carreira, uma só vontade deve existir, um só pensamento nos deve animar:COLABORAÇÃO TOTAL!Na medida em que o II Encontro vier a ser outro grande triunfo, outro marco miliário neste longo e penoso caminho que vimos a percorrer, mais orgulho devemos ter pela obra que todos - mas todos! -estamos a erguer. Quando amanhã um horizonte mais amplo, mais límpido, se rasgar ante nós, poderemos todos - mas todos! – dizer com justificada ponta de orgulho: «Também contribuí na medida das minhas forças para que possa agora disfrutar de toda esta perspectiva!.Eis a grande lição que o II Encontro nos vai trazer. Que todos nos regozijemos com ela!

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